05 junho 2010

ÁGUIA-COBREIRA VOA PARA O NORTE

lousã - Ave foi salva de morrer afogada
Águia Vitória recuperou a liberdade

ver filme em: http://www.asbeiras.pt/index.php?area=multimedia&video=1&numero=82979&vo=3

As vastas clareiras criadas pelo fogo, abriram novos e ferteis campos de caça para a Águia-cobreira. Antes escassa, tornou-se uma visão frequente no Centro-Norte do país. Uma visão majestosa, pela sua envergadura e movimentos...
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LONGE DO SOL...

Longe do Sol e do Mediterrâneo de onde vieram, as oliveiras não seriam capazes de sobreviver sem a mão do Homem. Aqui, na Quinta da Moenda, os carvalhos cobrem-nas, lentamente, com a sua sombra. Para algumas a luta já acabou, outras resistirão ainda durante anos, talvez décadas, mas nada pode evitar o seu fim.
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A ÁGUIA DE BOTAS

by Lip Kee Yap - www.flickr.com
Foi com alegria que, mais uma vez, pude observar uma águia-calçada numa zona compreendida entre a Lousã e Vila Nova de Poiares; Em Vale-de-Vaz, rasando os telhados, inspeccionando com insistência os quintais... Temo não poder repetir a sensação; alguns "cidadãos" já falavam na necessidade de ir buscar a caçadeira perante aquele "milhafre" que lhes ameaçava as capoeiras...
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BUTEO & BUTEO

by, Tomás Martins - www.birdsineurope.com
Dentre todas as rapinas que outrora dominavam o céu do centro de Portugal, a Águia-d´asa-redonda foi quase a única que sobreviveu á expansão do pinheiro e do eucalipto. A única que podemos observar com facilidade durante todo o ano. Agora, na Primavera, parecem perder toda a timidez na procura de alimentos para as crias.
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A BELA DESAPARECIDA

by Rodrigo de Almeida in http://visunatura.blogspot.com/
Noutras terras é tão comum como um pardal, mas não em Vila Nova de Poiares. Os grandes espaços agrícolas, com todas as suas possibilidades gastronómicas, desapareceram e foram substituidos pelo claustrofóbico Pinhal Interior. Pior, a este sucedeu o estéril eucaliptal interior... Assim, a antigamente vulgar Poupa, tornou-se quase só, uma recordação dos mais idosos. Nos últimos 17 anos, apenas tive o prazer de a observar duas vezes, ambas na Quinta da Moenda. Não sendo nenhum Cartier Bresson, fui obrigado a recorrer á generosidade de Rodrigo de Almeida para proporcionar uma ideia da beleza desta ave.
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GALINHAS DA RIBEIRA

by Isidro Vila Verde - http://www.flickr.com
A Ribeira de Poiares, transformada em cloaca em muitos dos seus troços, não deixa de nos surpreender agradávelmente noutros. Na área em que as suaa margens atravessam a Quinta da Moenda e do Prazo, é frequente ouvir e mesmo ver, a irrequieta Galinha d´água. Uma delas chegou mesmo a nidificar durante vários anos junto á Ponte da Moenda. Ainda que bela, a fotografia de Isidro Vila Verde não pode transmitir o divertimento proporcionado pela observação da mãe e dos seus pintos.
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ÚNICA

Em Perigo, segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal; Vulnerável, de acordo com o mais recente Atlas dos Anfíbios e Répteis. Em qualquer caso, a Salamandra Lusitânica é única do seu gênero e existe apenas no Noroeste da Península Ibérica. Há 20 000 anos, o vale do Mondego foi o seu último abrigo numa Europa gelada. Hoje é o avanço dos eucaliptos e das acácias, a escassez de água limpa, a dessecação dos solos, o isolamento genético..., que ameaçam o seu destino. Ao longo da Ribeira de Poiares e em especial na Quinta da Moenda, a Salamandra Lusitânica encontra o tipo de habitat de que necessita para sobreviver; muito húmido, coberto de carvalhos, salgueiros, amieiros, etç.. A legislação nacional, a Convenção de Berna, concordam na obrigação de criar zonas de protecção estrita e urgente. Porque não a Ribeira de Poiares?
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02 junho 2010

LAGARTO-DE-ÁGUA

by Nuno Dantas, Portugal - http://www.flickr.com/

É uma das criaturas que, miraculosamente, ainda sobrevivem na Ribeira da Poiares. O novo Atlas não o assinala nesta zona, mas pode ser observado frequentemente na Quinta da Moenda. Infelizmente, nunca consegui uma foto tão boa, como a que Nuno Dantas gentilmente disponibiliza.

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COBRA-DE-FERRADURA

O exemplar da foto foi atropelado em frente á Quinta das Lágrimas, em Coimbra, mas esta espécie é certamente a mais comum em Poiares (e frequente na Quinta da Moenda). É pelo menos a única que figura no Atlas dos Anfíbios e Répteis, para esta área. Apesar do aspecto intimidante, é completamente inofensiva (a não ser que você seja um rato...), mas esta evidência não a livra da maldição bíblica; a perseguição e morte á primeira vista.
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TERRA INCOGNITA

O novo Atlas dos Anfíbios e Répteis de Portugal, oferece-nos a rara sensação de valer muito mais do que o preço pedido. Longe de ser uma "conversa" entre especialistas, conciso e fluido, prende a cada momento a atenção de um simples curioso, como eu. Interessante, é também a forma como a quadrícula que corresponde a Vila Nova de Poiares (se não estou em erro) surge tantas vezes: em branco, como nos velhos mapas de África do sec. XIX... Mas ao contrário destes, não terá sido por falta de investigação. Num concelho de pequenas dimensões, submerso por monoculturas de eucaliptos e pinheiros, é natural que os métodos de amostragem habituais não sejam suficientes para assinalar a presença de espécies, que seguramente, ainda existem: lagarto-de-água, cobra-de-pernas, cobra-de-escada, licranço, etç...
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15 maio 2010

SELVAGENS E ASSILVESTRADOS

As associações de defesa da Natureza e dos Animais nem sempre se entendem. Ex: como lidar com as populações de assilvestrados (cães e gatos)? - Para as "protectoras", o seu direito à vida não pode ser negado; para os ambientalistas, é necessário eliminar estas populações de temiveis predadores que, ainda por cima, podem misturar-se com lobos e gatos selvagens... A verdade é que a política de extermínio, por si só, não parece ser suficiente. Mais eficaz será a esterilização generalizada das colónias de assilvestrados. Em Poiares, este trabalho tem sido realizado pela Agir Pelos Animais e Louzanimales, com o apoio da Cãofraria dos Bichos. Apesar das dificuldades económicas, centenas foram esterilizados e milhares não nasceram... P.S. O gato da foto foi capturado na Quinta da Moenda e depois de castrado, descobri que era manso. Caça agora "no prato" de um apartamento no Porto. SV

FURA-VIDAS

Raramente temos a sorte de a observar. E quase sempre neste estado; destroçado pela nossa pressa em chegar sempre mais rápido a qualquer lado... Em poucos dias deparei-me com dois atropelamentos, o primeiro no Entroncamento de Poiares, o outro na Circular Externa de Coimbra (entre a Av. Elísio de Moura e Coselhas). Prova de adaptabilidade extraordinária, mas não única: no segundo local já pude examinar uma raposa e uma geneta. SV

DIE HARD

Como eliminar um "bosquete" de ailantus ( tal como a acácia, uma super-árvore ) sem danificar os carvalhos e castanheiros que os rodeiam? Matá-los, sem os derrubar, seria o ideal; esperava que um simples corte "epidérmico" (10 cm) fizesse o efeito pretendido. Afinal, um mês depois, as árvores-do-céu estão bem vivas e serenas... Reparei, então, que as Professoras Elizabete e Hélia Marchante, recomendam um corte muito mais amplo (do peito ao solo). É tempo de voltar a tentar... SV

A LUTA CONTINUA!

No lado Oeste da Quinta da Moenda, o "bosquete" de acácias foi mais uma vez cortado. Uma oportunidade para os pequenos carvalhos e sobreiros poderem respirar e ganhar um pouco de envergadura, antes de voltarem a ser engolidos pela praga... Desta vez, optei por não queimar os restos "mortais". Caídos, os seus troncos e ramagens dificultam a chegada de luz ao solo e, talvez, o desenvolvimento das acácias. SV

AS MAIAS

Em Poiares, até as Giestas já se tornaram raras; o " espaço" que ocupam nos terrenos agrícolas ou florestais, parece um desperdício e para "enfeitar" preferimos as palmeiras e os abetos... Mas em Maio, seguindo a tradição, muitos procuram um pedaço para adornar a entrada do Lar. É frequente, então, que os que tiveram o gosto e a generosidade de os deixar crescer, se deparem com um cenário de destruição e mutilação... O exemplar da foto - de invulgar envergadura - sobrevive na Quinta da Moenda - Sta. Maria. SV

04 maio 2010

INDÍGENA

É verdade. O Bordo, Padreiro ou Figueiro, é tão Poiarense como o roble ou o sobreiro. Quase extinto, largamente desconhecido, sobrevive nalguns locais apenas em forma de arbusto devido aos sucessivos cortes e atarraques. Alguns idosos não se recordam de o observar na sua forma natural - o de uma árvore de grande porte - e teimam sobre a sua inutilidade. Irónico, considerando que o Bordo, ou Acer Pseudoplátanus, pode chegar aos 35 metros de altura, e dois metros de espessura no tronco... Ou que esta espécie - de rápido crescimento - constitui a base de uma grande indústria de madeira para interiores em Espanha ou França... Em V.N.Poiares, que, aliás, está no limite Sul da sua distribuição Europeia, o Bordo tem neste momento um único local de refúgio: a Quinta da Moenda. SV

LIBERTAÇÃO

Deste lado, freixos, salgueiros, ciprestes... Do outro lado da "fronteira"(a Ribeira de Poiares), uma "selva" estéril de acácias e eucaliptos. Ou quase. Ciente de que no seu interior sobreviviam sobreiros, castanheiros, carvalhos, etç... negociei a sua "libertação" da seguinte forma: a oferta das espécies estrangeiras, em troca de um corte que respeitasse as nossas árvores. Não foi perfeito, o Tempo é dinheiro e os madeireiros não são menos ganaciosos do que os outros... Mas no geral, o acordo foi respeitado e a nossa floresta ganhou uma etapa de avanço sobre a esperada regeneração da acácias e eucaliptos. SV

LAMPIÕES

Porque razão uma serra, outrora coberta de azinheiras, ganhou o nome de Candeeiros? O motivo "acendeu-se" no meu pensamento ao observar uma jovem azinheira na Quinta da Moenda. Infelizmente, a foto não faz justiça ao fulgor e brilho que os "lançamentos" de primavera desta espécie de carvalho (Quercus ilex) podem ter. SV

MONTANHÊS

Especializado nas condições agrestes da alta montanha, o carvalho-negral (Quercus Pirenaica) guarda os seus costumes de montanhês, mesmo nas colinas suaves de Poiares. Há um mês que os seus irmãos, Robles e Cerquinhos, floresceram, mas o Negral só agora acordou para a Primavera. Escassos e discretos em Poiares, tornam-se fácilmente notados neste momento do ano. Os dois exemplares da foto superior podem ser vistos na face norte da Quinta da Moenda, em Sta. Maria. SV

HABITAÇÃO SOCIAL

Autor: Tomás Martins - http://www.birdsineurope.com
Apesar da abundância de locais propícios à nidificação, decidimos facilitar a vida de algumas espécies, com a instalação de ninhos no Dia da Árvore (construídos pelo próprio Rogério). Poucos dias depois, o ninho nº 2, tornou-se o Lar de um casal de Chapins (Parus major). Noutras paragens, é frequente os silvicultores incentivarem a fixação desta espécie, pelo auxílio que elas prestam no combate a "pragas" como a processionária. Em Portugal, muito modernos, preferimos o uso de químicos... SV

Rana iberica ?

Se a foto é má, a ciência não é mais "definida"; com a ajuda do Guia Fapas - Anfíbios e Répteis de Portugal, identifiquei este exemplar como sendo uma rã ibérica (o guia não tem culpa). Como o nome sugere, só existe na Peninsula Ibérica e mesmo assim circunscrita ao noroeste. Ou seja ás terras altas e/ou húmidas da península. Em Poiares encontram-se muito próximo do seu limite Sul de distribuição. É particularmente dependente de habitats ricos em água limpa, um bem que escasseia em VNPoiares, com as suas ribeiras transformadas em esgotos e saturadas de fertilizantes/pesticidas agrícolas... O exemplar da foto faz parte de uma comunidade residente numa fonte da Quinta da Moenda. SV

UNTER DEN LINDEN

"Sob as tílias...", declararam-se guerras, assinaram-se pactos e convenções durante séculos, por toda a Europa. Ou quase, o seu espaço natural termina na Galiza e sendo bela, mas não útil, só chegou a Portugal quando o Belo ganhou valor; com os jardins românticos e passeios públicos. É pois um imigrante recente, que contudo se integra muito bem na nossa paisagem. As fotos mostram exemplares da Quinta da Moenda e as alterações que podem ser observadas em poucos dias; adaptado aos rigores Continentais, floresce tarde, entre o Dia da Árvore e o Dia da Terra... SV

OUTONO NA PRIMAVERA

Quando caem as folhas dos sobreiros, sabemos que a Primavera chegou. Há muito que a floresta se revestiu de novas cores; robles e bordos, cerejeiras e pilriteiros, freixos ou amieiros, cada um deles com o seu próprio verde, as sua distintas flores... Mas o sobreiro, um nativo do Sul, desconfia das geadas tardias e só se despe quando tem a certeza... A sua "miséria" dura pouca semanas e muitos pensam que se trata de uma doença. Que está a morrer! - Nada mais natural, numa terra revestida de um permanente verde-acinzentado de eucaliptos e acácias. A pulsação da Natureza só pode ser sentida em pequenos recantos, tal como a Quinta da Moenda, um refúgio biológico propriedade da Liga para Protecção da Natureza, em Sta. Maria. SV